Bruno Reis assumiu presidência da Embratur, substituindo Marcelo Freixo, no final do mês de março.
Bruno Reis assumiu presidência da Embratur, substituindo Marcelo Freixo, no final do mês de março.Foto: Gerardo Santos

Brasil deve quebrar recorde de turistas estrangeiros. "Credibilidade para fora" ultrapassa momento político, diz presidente da Embratur

Bruno Reis faz primeira viagem à Europa desde que assumiu o cargo, de olho em novas oportunidades de negócio e no reforço da imagem do Brasil. País deve chegar ao marco de 10 milhões de visitantes internacionais este ano. "Não tem mais dia zero" para o Turismo.
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O Turismo no Brasil vive uma "transição de mentalidade" sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico e social do país, o que traz mais estabilidade para que esta cadeia produtiva ganhe tração mesmo em meio ao momento político, marcado pela proximidade das eleições. A análise é de Bruno Reis, novo presidente da Embratur, que faz a primeira viagem à Europa desde que assumiu o cargo, em março, para reforçar os contatos com investidores e com o trade local.

"Eu sou o primeiro bacharel em Turismo na cadeira de presidente, em 60 anos, e o que a gente está entendendo é que existe uma transição de mentalidade sobre a importância da nossa indústria. A indústria do agro, por exemplo, ela tem uma influência para entender quais são as direções que esse mercado vai ter, independente do cenário político eleitoral", explica Bruno Reis ao DN Brasil. "A gente nunca viveu isso. O que a gente sempre viveu foi transições de governos e a estratégia acabava pautada sempre de novo do dia zero. Não tem mais dia zero", completa o presidente.

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O Turismo representa de 8% a 11% do PIB nacional. Em 2025, o Brasil já bateu um recorde, recebendo 9,3 milhões de turistas internacionais, com uma injeção de cerca de 10 bilhões de dólares na economia. Agora, o país se prepara para alcançar o marco histórico de 10 milhões de visitantes estrangeiros, resultado que o presidente credita à estratégia do Plano Brasis, programa que traçou as metas de 2025 a 2027 e trouxe um olhar diferenciado para cada estado brasileiro trabalhar o seu melhor produto. "Foi compartilhar a estratégia com os atores locais que, de fato, gerem o produto, para que eles também possam influenciar os gestores públicos no nível estadual e no nível federal sobre para onde deveriam se caminhar com a estratégia da promoção internacional do Brasil e dos destinos", afirma.

Para o presidente, "a indústria de fato agora conseguiu entender o impacto que tem de geração de emprego, no PIB, e de que maneira que a atração de investimentos está muito pautada na credibilidade que o país tem para fora", o que traz mais estabilidade para que o setor continue a trabalhar. "Independente do cenário que acontecer no Brasil, nos estados, no nível federal, a gente também, pela primeira vez, já entregou uma estratégia que perpassasse gestão. Então a estratégia comercial de posicionamento do Brasil não muda até dezembro de 2027. E como é uma visão de negócios, de longo prazo, a gente entende que isso de fato tem performance", avalia Bruno Reis.

Bruno Reis explica que o Turismo representa de 8% a 11% do PIB brasileiro.
Bruno Reis explica que o Turismo representa de 8% a 11% do PIB brasileiro.Foto: Gerardo Santos

"Vender" o Brasil começa por dentro

Em Portugal, o presidente da Embratur cumpre uma agenda muito focada na relação com parceiros estratégicos. Esteve na comemoração dos 60 anos do primeiro voo da TAP para o Brasil, vai participar de ações da Azul e da GOL, empresa que estreia a sua primeira rota para a Europa no próximo dia 16, além de participar de ações regionais, como a realizada pelo Ceará para promoção do estado como destino turístico. Esta última, aliás, representa um pouco do que Bruno Reis considera o seu principal desafio na gestão, garantir que, internamente, a autonomia que o Plano Brasis deu às regiões seja desenvolvida.

"Meu principal desafio não é convencer a comprar Brasil. Porque isso é fácil, vender Brasil para operadores do mundo inteiro. O desafio é a governança nos diversos destinos brasileiros onde a gente tem que estar alinhado. O estado, o município, as associações de interesse, o próprio trade turístico local, para aí sim ter uma imagem que performe no mercado internacional", reforça.

"Então a gente entregou um plano desse pra cada secretário de estado, pra cada diretor do Sebrae, pra cada diretor de aeroporto dizendo olha conforme a nossa análise de dados a gente entende que, de 2024 até 2027, vocês deveriam estar fazendo ações de promoção pra fomentar esses nichos de segmentos nesses mercados. Ou seja, deveria promover Manaus no Paraguai? Não. O Amazonas deveria se promover para o mercado norte-americano, para os canadenses, para os britânicos e para os alemães. A gente começou a recortar pra organizar a oferta dentro do Brasil", completa o presidente.

Portugal lidera na Europa

Sobre os mercados a desbravar, Portugal ganha fôlega e relevância. No primeiro semestre deste ano, o país passou a ocupar o primeiro lugar em emissão de turistas da Europa para o Brasil, superando a França. Mais de 162 mil portugueses desembarcaram no Brasil de janeiro a junho deste ano, com um crescimento de 26% em relação a 2026. Os franceses vieram logo atrás, com 141 mil passageiros.

"Para cada mercado europeu a gente sabe exatamente qual é o público que quer atingir", afirma Bruno Reis, citando alguns exemplos. Para turistas do Reino Unido, "a gente quer de fato apresentar o Brasil como esse destino de wildlife observation, bird watching, para falar de possibilidade também de fazer safáris no Brasil, porque eles visitam muito tanto a Costa Rica, quando eles querem ter contato com a natureza, quanto a África". No caso dos franceses, "muito ligados com a questão da cultura", a aposta é "capoeira, afroturismo, para entender um pouco da diáspora. O que a gente entendeu também é que existem muitos franceses interessados no kitesurf. Então, a gente começou a posicionar o velejo no nordeste brasileiro de uma maneira mais estratégica".

Já para os portugueses, a busca passa, num primeiro momento, por reviver o Brasil de outra forma. "Acho que as gerações que já foram no Brasil há um tempo viveram as experiências e agora tem essa nova onda, nessa outra geração portuguesa, que está querendo descobrir o mesmo Carnaval do Rio de Janeiro que estava lá nos anos 90, que era muito famoso, mas com outro olhar", avalia. No entanto, o presidente da Embratur também destaca "uma diversificação do ponto do interesse do português" pelo Brasil, com demandas que surgiram, inclusive, das agências de viagem. "Querer falar sobre o Pantanal e querer falar sobre Florianópolis, o novo olhar para o Rio Grande do Sul, que era uma coisa que não estava no nosso radar. E ter de fato 15 cidades brasileiras ligando ao Porto e a Lisboa também nos faz ter essa diversidade de produtos a oferecer", completa, numa referência ao números de voos realizados pela TAP, que é a principal companhia a conectar o Brasil à Europa. Em 2025, a empresa transportou 2,2 milhões de passageiros entre Brasil e Portugal.

Para 2027, vai haver também uma aposta na Espanha. "Por conta dos voos da Iberia". Segundo Bruno Reis, com as rotas aéreas diretas a atração de investimento ganha impulso. "Porque aí não chega só o voo da Iberia, assim como não é só o voo São Luís, Lisboa. É também o Vila Galé. Então a gente também pensa na tração de investimento disso chegando. Não é só o voo da Air France, Paris e Fortaleza. Quando a Rede Accor olha para Fortaleza e para o Preá com um olhar mais estratégico. Então isso não aconteceu no Brasil e isso aconteceu nos nossos concorrentes de uma maneira muito intensa", avalia.

O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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