Segundo Jayane, já houve pelo menos cinco hipóteses diagnósticas diferentes.
Segundo Jayane, já houve pelo menos cinco hipóteses diagnósticas diferentes.Foto: DR

História de brasileiro internado há três meses mobiliza imigrantes para ajudar família

Esposa continua conciliando a vida entre trabalho, visitas ao marido e cuidados com o bebê de um ano e quatro meses.
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Ter uma vida melhor e mais feliz é sempre um objetivo de quem muda de país. Com a família de Jayane de Hartwig e seu marido, não foi diferente. Impulsionada pelo sonho do companheiro de vida, Isaías de Freitas, de morar em Portugal, além do desejo de proporcionar uma vida melhor ao filho, Jayane e a família se mudaram para a região de Leiria em agosto do ano passado.

Pouco tempo depois, Isaías começou a sentir dores na barriga e estufamento. Ele foi ao médico, que lhe receitou um remédio. “A dor melhorava, depois voltava mais forte e começava a irradiar para a coluna. Era como se ele tivesse cólicas renais”, conta Jayane ao DN Brasil. Eles não faziam ideia de que esse era o início de um pesadelo: o brasileiro está internado há três meses e segue sem diagnóstico. A imigrante começou a publicar essa rotina nas redes sociais, o que mobilizou uma rede de ajuda, solidariedade e orações.

A internação ocorreu no dia 11 de dezembro, quando a dor se tornou insuportável. “Me buscaram no trabalho. Eu saí às 22h30, ele foi dirigindo, chorando. Fomos para o único hospital de que ele se lembrou naquele momento, em Caldas da Rainha”, detalha.

Até agora, o imigrante já passou por outros hospitais — foi transferido para Leiria — e fez dezenas de exames e biópsias, inclusive para investigar leucemia e tuberculose. Segundo Jayane, já houve pelo menos cinco hipóteses diagnósticas diferentes: pedra nos rins, apendicite, doença no sangue, doença de Crohn, um fungo e uma bactéria que imita um fungo. Mas nada se confirmou, enquanto o estado de Isaías piora.

Sem um diagnóstico fechado, o que se sabe é que, atualmente, o brasileiro tem uma infecção generalizada no corpo e precisa de morfina para suportar a dor. Está acamado e se alimenta por sonda. “A prioridade agora é combater essa infecção”, conta a esposa do paciente.

Desde a internação, a rotina de trabalho por turnos e os cuidados com o bebê de um ano e quatro meses, passaram a incluir visitas ao marido, a busca por respostas e pedidos de ajuda, como caronas para ir até o hospital. Pediu para ter mais turnos de manhã e poder visitar o marido à noite, que é o único horário permitido.

Aqui, a brasileira conta com o apoio da mãe e da irmã, que moram no país, principalmente da mãe, que ajuda a cuidar da criança. Como o marido trabalhava com recibos verdes, está sem receber por estar doente. Jayane trabalha desde que chegou ao país e recebe um salário mínimo, que vai quase todo para o aluguel e as despesas básicas, como o seguro de saúde do bebê.

Com a repercussão do caso, foi iniciada uma campanha de arrecadação de dinheiro via Pix e MB Way. Segundo a brasileira, a maior preocupação é com a criança. “É mais pelas coisas para o meu filho mesmo, sabe? Porque eu penso assim: a gente, que já é grande, que é adulto, tem um entendimento e consegue compreender a situação e tudo. Mas o meu filho toma leite, usa fralda, lencinhhos, pomada”, desabafa.

Na semana passada, por exemplo, ela foi levada ao mercado, onde priorizou a compra de carne, frutas e alimentos para o bebê. Outra ajuda que a brasileira busca é a de novas opiniões médicas.

No entanto, ela ainda enfrenta a burocracia para obter a cópia dos exames e buscar uma segunda opinião. A imigrante já fez a solicitação no Espaço Cidadão, mas está sem esperança quanto à agilidade da resposta. Jayane também explica que retornar ao Brasil está fora de cogitação. “A equipe médica já falou que não existe essa possibilidade por conta do estado em que ele está”, ressalta.

As doações podem ser feitas no PIX jayane638@gmail.com, no Mbway 925720160 ou através do Revolut.

amanda.lima@dn.pt

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