Brasileiros que precisam enviar dinheiro do Brasil para a Europa agora dispoem de mais uma opção de serviço. A Bleap, startup de origem portuguesa sediada em Londres, acaba de lançar o seu primeiro produto para remessas internacionais através de Pix, que permite o envio de reais, com conversão automática para euros pelo valor do câmbio do dia, de forma instantânea e sem nenhum tipo de custo associado à operação.Ao se cadastrar na Bleap, o cidadão brasileiro passa a ter uma conta com IBAN europeu. No registro, é solicitado, entre outros documentos, o número do CPF. A partir daí, o usuário passa a ter uma chave Pix associada à conta, que funciona de modo igual às chaves no Brasil.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!"Nós criamos uma Pix key que está associada a Bleap, cada um tem a sua, e sempre que reais chegam nessa conta são automaticamente convertidos para euros à taxa atual, tu consegues ver a taxa no aplicativo, e demora cerca de três segundos", explica ao DN Brasil João Alves, um dos fundadores da Bleap. "Neste momento, estamos a usar a mid-market rate [valor do câmbio], ou seja, o que vês no Google é o que te aparece na tua conta, sem taxas nenhumas, sem IOF, sem tudo", completa o fundador.A operação inversa, o envio de euros da conta na Europa para uma conta no Brasil, vai ser habilitada até o final de setembro. "Essa é a segunda parte que vamos avançar. Até vamos fazer uma campanha de Ano Novo, porque vimos que muitos brasileiros acabam por passar o Ano Novo no Brasil, mas vai ser no fim deste mês. Sempre instantaneamente, à taxa do Google", afirma João Alves.Brasileiros na Europa são "nicho de mercado"A Bleap foi fundada em 2024 por João Alvez e Guilheme Gomes, ex-colaboradores da Revolut. Com a experiência de montar o programa de cartões na startup, a dupla de portugueses queria resolver o problema de custos associados a remittances, que são as transferência de dinheiro feitas por imigrantes do país onde vivem para o país onde nasceram."Começamos a procurar o mercado onde a necessidade seria maior, onde haveria uma vantagem para nós, que estamos na Europa, ou seja, um mercado que efetivamente tivesse muita migração a vir para cá, e em que os players atuais estivessem a cobrar uma fee muito alta. Começámos a ver, por exemplo, o pessoal da Colômbia, que vai muito para a Espanha, do Peru, mercados muito interessantes, mas acabamos por ficar no Brasil só porque tinha um fluxo contínuo de pessoas a chegar. E depois começamos a fazer entrevistas e a ver que 100% dos brasileiros utilizavam a Wise", explica João Alves.Segundo o Banco de Portugal, os brasileiros que residem no país são os imigrantes que mais enviam dinheiro para o seu país de origem. Em 2025, o valor chegou a mais de 341 milhões de euros transferidos para o Brasil. "Começamos a ver, ok, claramente isto é um nicho de mercado, só há um player a servi-los, é um mercado a apostar", afirma o fundador da Bleap.Expansão do PixMétodo de pagamento mais utilizado do Brasil na atualidade, o Pix segue o seu caminho de expansão internacional. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Banco Central está trabalhando para interligar o sistema a TIPS, a plataforma de pagamentos instantâneos da Europa. Por enquanto, está operacional em oito países, segundo o Banco Central: Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França.Nestes casos, a funcionalidade é possível por meio de parcerias entre instituições financeiras, fintechs e empresas de câmbio autorizadas, que habilitam o sistema. O serviço da Bleap é feito através de uma parceria com a Avenia. "O Stark Bank é o provider, que é um dos principais providers da chave Pix, e é ele que faz a integração diretamente com o Banco Central, e nós estamos com a Avenia. Ou seja, a Avenia permite-nos o acesso ao Stark Bank para a chave Pix, e depois a Avenia é o nosso parceiro que nos ajuda a converter os euros digitais para real digital também", explica João Alves.Para o empreendedor, o ecossistema da pagamentos no Brasil "é um caso de estudo", assim como o chinês. "A China está super avançada na parte de pagamentos com a Alipay e o WeChat, o Brasil está é que está igual. Em mais nenhum mercado do mundo tu pegas um parcelamento no PPA. O Brasil sempre esteve nessa parte, mesmo antes do Pix, muito avançado no que é a fronteira de evolução de pagamentos. E quando tens um método de destes [Pix] que vai a nível de Banco Central e que é tão usado pela população no seu dia-a-dia, isto cria oportunidades muito interessantes", destaca João Alves..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Pix chega a oito países no exterior. Em Portugal, método de pagamento brasileiro deve ser integrado ao MB Way.FMI elogia Pix e cobra autonomia financeira do Banco Central