O artista brasileiro MC Livinho é a atração principal do palco na primeira noite do Festival da Comida Continente, que ocorre no Porto, em julho. O músico se apresenta às 11, das 21h15 às 22h30 e promete um "grande baile funk" no evento, que tem entrada gratuita. O DN Brasil conversou com o artista sobre a participação no festival, o momento na carreira e os planos para o futuro. Leia a entrevista na íntegra:Como se sentiu ao ser convidado para ser a atração principal do Festival da Comida Continente?Sinto-me verdadeiramente feliz, amado, respeitado e reconhecido por ver o meu trabalho atravessar fronteiras e chegar a um evento da dimensão do Festival da Comida Continente, que junta boa música e boa comida num ambiente único.Que mensagem acredita que isso passa, ser um brasileiro o artista principal num festival português?A minha presença como artista principal no Festival da Comida Continente mostra que a música não tem fronteiras. É a prova de que o talento pode atravessar os oceanos e juntar pessoas de culturas diferentes para assistir ao mesmo espetáculo, o que pode inspirar muitos jovens artistas e mostrar que os sonhos não são impossíveis.E o que os participantes podem esperar do show do Festival da Comida Continente? Que músicas nunca podem faltar num show?O público pode esperar um espetáculo com muita energia e entrega do início ao fim. Não vão faltar hits que marcaram a minha carreira, como “Cheia de Marra”, “Se Saudade Sentir (Se Prepara 3)” e “Novidade na Área”, entre muitos outros. Vai ser uma noite inesquecível em que vamos transformar o Parque da Cidade do Porto num verdadeiro baile de funk.Crescer na periferia molda a forma como se vê o mundo. O que dessa realidade ainda carrega hoje?Tudo o que vivi ajudou a construir quem eu sou, e isso reflete-se tanto na minha música como na forma como olho para cada palco, como o do Festival da Comida Continente.Nunca me esqueço das minhas origens e do caminho que percorri até aqui. Tenho muito orgulho nas minhas conquistas e carrego na minha essência valores como a humildade e o respeito, que me foram transmitidos pela minha família, que sempre me apoiou.Acha que a mídia no geral mostra a favela como ela realmente é ou só reforça estereótipos?A favela é um espaço cheio de pessoas, histórias e talento, assim como qualquer outra comunidade. Eventos como o Festival da Comida Continente permitem dar visibilidade a artistas com origens diferentes, mostrando que há muito mais além dos estereótipos.Vê a música como ferramenta de inclusão social?Sim, e num evento como o Festival da Comida Continente, que reúne milhares de pessoas, essa capacidade torna-se ainda mais visível. A música é uma das ferramentas mais poderosas de inclusão social porque permite dar a conhecer diferentes realidades, servindo como uma “válvula de escape para a periferia”. É uma forma de liberdade de expressão poética, que permite transmitir sentimentos e mensagens emocionais, intelectuais, espirituais ou ativistas.A tua trajetória é vista como exemplo de superação. Como se sente com isso?Sinto-me realizado por poder inspirar outras pessoas, mostrando que com trabalho e dedicação é possível alcançar os nossos sonhos e objetivos. Essa responsabilidade também me motiva a ser melhor todos os dias.Às vezes o funk é mal interpretado como uma música vazia ou que incentiva coisas não tão boas, principalmente aqui na Europa. Como rebater esse argumento?O funk, tal como qualquer género artístico ou musical, é uma forma de expressão. Existem músicas sobre diferentes temas, para todos os gostos, momentos e públicos, e cada um pode escolher o que quer ouvir. Cada vez mais, o público procura ouvir temas leves e positivos, que não se foquem nos problemas, e é essa energia positiva que o público pode esperar nas minhas atuações, especialmente no Festival da Comida Continente.Já que estará num festival de comida… Você conhece a comida portuguesa? O que mais gosta?Gosto muito do famoso pastel de nata. Estou curioso para explorar ainda mais durante o Festival da Comida Continente, até porque este evento reúne boa comida, convívio e experiências únicas.Como você vê a sua carreira daqui a dez anos?Quero continuar a evoluir e a crescer internacionalmente. Vejo a minha carreira ainda mais consolidada, com novos projetos e, possivelmente, a apoiar outros artistas.Você é um artista que apostou na internet para começar a carreira. Hoje, é um ambiente muito mais concorrido. Que dicas dá para quem vai começar agora por esse caminho?O mais importante é acreditar no próprio talento e correr atrás dos sonhos, sem perder o foco e a responsabilidade. Sonhar é fundamental, mas as vitórias não caem do céu e, por isso, é necessário manter os pés na terra e trabalhar todos os dias para tornar os objetivos realidade. O meu principal conselho é que procurem aprender e trabalhem em si próprios, no seu desenvolvimento pessoal, para que o seu conhecimento evolua e tenham cada vez mais para oferecer enquanto artistas, com uma identidade única que os diferencie..Alcione: “Quero que o meu canto deixe as pessoas bem”.Dino D'Santiago: “Só em Cabo Verde é que eu senti que entrava numa loja sem ninguém vir atrás de mim”