A atriz indígena Zahy Tentehar chega a Portugal esta semana para sua estreia no país. O Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM) recebe a brasileira para duas apresentações do espetáculo Azira’i, nos dias 13 e 14 de fevereiro, às 18h30. A atividade faz parte da programação paralela da exposição Complexo Brasil, que segue aberta até o dia 17 de fevereiro.O solo multipremiado é autobiográfico e retrata a vida da mãe da artista, Azira’i Tentehar. Indígena do povo Tentehara Guajajara, ela foi a primeira mulher pajé da reserva indígena de Cana Brava, no Maranhão. Azira’i Tentehar é descrita como “herdeira e guardiã da sabedoria ancestral de seu povo e possuidora de um conhecimento profundo da terra e da medicina da floresta”.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!No espetáculo musical, a atriz “resgata memórias nas quais a filha revive sua relação com a mãe, tendo como pano de fundo o interior nordestino, marcado por uma forte tradição patriarcal e por uma cultura dividida entre a preservação dos valores ancestrais e as novas dinâmicas trazidas por uma civilização globalizada”. A relação com a mãe, nesse contexto conturbado, “oscila entre o afeto e a violência”.Zahy dá voz à mãe ao relatar os conflitos e a espiritualidade vividos entre as duas, por meio de histórias e canções narradas e cantadas na língua nativa e em português. Segundo a Gulbenkian, a apresentação ganha ainda mais relevância por acontecer em um momento em que “a natureza grita por socorro; este espetáculo traz à tona a importância da reconexão com a Mãe Terra, assim como Zahy e sua mãe se reconectaram por meio do amor, da cura, do perdão e do cuidado”.Após a apresentação em Lisboa, Azira’i segue para Coimbra, onde será encenado no Teatrão, no dia 18 de fevereiro. Em seguida, o Rivoli, no Porto, recebe duas apresentações do espetáculo, nos dias 20 e 21 de fevereiro. Os ingressos para as apresentações em Lisboa estão à venda aqui por 15 euros.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..“Sem medo”, exposição 'Complexo Brasil' quer ser diálogo entre brasileiros e portugueses .Eliane Brum: “A Amazónia está no prato da Europa. É preciso parar de comer a Amazónia”