Agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) foram denunciados no Ministério Público (MP) após agredirem um jovem autista de 15 anos em Leiria durante uma abordagem. O menino, que é brasileiro, fugiu da escola e entrou em uma casa, sendo que o morador acionou a PSP por invasão.Machucado pela abordagem, as imagens da agressão viralizaram nas redes sociais. De acordo com o relato da mãe, ele tem 80% de incapacidade e não fala. Devido ao autismo, é um rapaz "muito curioso" e que pode entrar na casa das pessoas por curiosidade, mas não por violência. "Será que seis policiais não viram, não identificaram a deficiência dele?", questionou a brasileira.A família mora em Portugal há dez anos, e o adolescente estuda na escola de onde fugiu desde o primeiro ano. O menino teve que ser levado ao hospital, onde os médicos atestaram equimoses na face, região cervical e tornozelo, e ele foi identificado como vítima de agressão.O caso está sendo acompanhado pelo advogado brasileiro André Lima. A família apresentou queixa-crime junto ao MP, e o caso está em investigação. O objetivo é apurar responsabilidades relativamente à atuação policial e às circunstâncias em que o menor sofreu as lesões.A família também estuda uma eventual responsabilidade civil, uma vez que a vítima possui deficiência profunda e que essa circunstância exige cuidado e proteção por parte das autoridades. Há vídeos que mostram o adolescente imobilizado por seis agentes.PSP diz que tirou algemas quando soube da condiçãoQuestionada pelo DN Brasil, a PSP de Leiria explicou que, quando o professor do estudante chegou ao local e disse qual era a situação, a "PSP retirou de imediato as algemas ao jovem e promoveu a sua condução até à escola".A força de segurança foi acionada por suspeita de "assalto". Segundo a PSP, "à chegada ao local, os polícias encontraram um jovem, de 15 anos de idade, já retido e imobilizado por dois cidadãos, concretamente o proprietário da habitação e um vizinho, não tendo sido identificados indícios de agressões ao suspeito, para além de pequenas escoriações na face resultantes da posição em que se encontrava imobilizado".A polícia ainda destaca que a atuação inicial ocorreu com base na informação de que havia um assalto na casa. "Importa sublinhar que, no momento da intervenção inicial, os polícias desconheciam a idade e a condição clínica do jovem, tendo a atuação sido determinada exclusivamente pelo contexto de um alegado crime em curso e pela necessidade de garantir a segurança dos envolvidos. Só posteriormente foi possível enquadrar a situação à luz da informação entretanto recolhida".Leia a nota completa da PSP enviada ao jornal:"Na sequência do seu pedido de esclarecimentos relativamente à ocorrência registada no passado dia 20 de março, na freguesia dos Marrazes, em Leiria, cumpre-me prestar a seguinte informação:A Polícia de Segurança Pública foi acionada para uma residência por suspeita de assalto em curso. À chegada ao local, os polícias encontraram um jovem, de 15 anos de idade, já retido e imobilizado por dois cidadãos, concretamente o proprietário da habitação e um vizinho, não tendo sido identificados indícios de agressões ao suspeito, para além de pequenas escoriações na face resultantes da posição em que se encontrava imobilizado.Segundo relato dos intervenientes, o jovem terá tocado à campainha de uma residência e, após abertura da porta, empurrado o proprietário, entrando no interior da habitação. Perante a perceção de uma situação de assalto, o residente pediu auxílio, tendo um vizinho acorrido ao local. O suspeito acabou por entrar também na residência deste segundo interveniente, após novo empurrão, sendo posteriormente imobilizado por ambos até à chegada da PSP.O jovem foi então entregue aos polícias, tendo sido algemado e conduzido ao exterior para efeitos de identificação e adoção dos procedimentos legais, em virtude da sua não colaboração. Importa referir que, face à natureza do alerta inicial, compareceram no local vários meios policiais, não tendo sido necessária intervenção relevante adicional para além do apoio à condução do suspeito.Entretanto, no local, um cidadão identificou-se como professor do jovem, informando que o mesmo é portador de perturbação do espetro do autismo e que não comunica verbalmente. Acrescentou ainda que o aluno se havia ausentado da escola momentos antes, aproveitando uma falha no portão de acesso, estando já a ser encetadas diligências para a sua localização.Perante esta nova informação, a PSP retirou de imediato as algemas ao jovem e promoveu a sua condução até à escola. Neste local, compareceu a progenitora, a quem foram prestados todos os esclarecimentos, nomeadamente quanto às circunstâncias da intervenção policial e às escoriações ligeiras observadas. Por iniciativa da escola, o jovem foi posteriormente encaminhado para o Centro Hospitalar de Leiria, com acompanhamento dos Bombeiros Voluntários de Leiria.Importa sublinhar que, no momento da intervenção inicial, os polícias desconheciam a idade e a condição clínica do jovem, tendo a atuação sido determinada exclusivamente pelo contexto de um alegado crime em curso e pela necessidade de garantir a segurança dos envolvidos. Só posteriormente foi possível enquadrar a situação à luz da informação entretanto recolhida.Como procedimento habitual, foram prestados esclarecimentos às partes envolvidas quanto à possibilidade de enquadramento legal dos factos, nomeadamente ao abrigo da Lei Tutelar Educativa".amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Agressão a estudante brasileiro em escola de Mangualde causa revolta entre imigrantes.PSP afirma que notificações de abandono voluntário e polícias à paisana estão de acordo com a lei