Vários pontos da cidade foram devastados pelos fortes ventos e chuva.
Vários pontos da cidade foram devastados pelos fortes ventos e chuva.Foto: Reinaldo Rodrigues

"Terror puro". Brasileiros em Leiria relatam devastação com temporal

Parte da cidade ainda está sem agua e com eletricidade instável há dias.
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"Terror puro". Assim descreve a brasileira Alynne Susan sobre a tempestade que devastou a cidade de Leiria. Mas o terror ainda não passou. "Estamos sem água, com a energia elétrica extremamente instável, sem internet e praticamente sem meios de comunicação. Tudo falha ao mesmo tempo, e o apoio não chega na velocidade e na dimensão necessárias", diz a imigrante ao DN Brasil.

Alynne mora com a família na cidade há quatro anos e nunca viu nada parecido. "Vivemos dias de grande angústia, sem saber se a situação vai piorar durante a noite ou com novas chuvas. É um pesadelo. O medo não é apenas de perder bens materiais, mas de que algo mais aconteça", relata.

Com previsão de altos volumes de chuva nos próximos dias, o medo continua. "O nível do rio subiu de forma assustadora, e estamos seriamente preocupados com a possibilidade de ele transbordar ainda mais e inundar nossas casas. Precisamos de apoio, ajuda e soluções para que tudo isso possa passar", destaca.

A brasileira sente que a cidade, por não ser a capital, está sem ajuda. "Além dos danos materiais e do risco, o que mais dói é o sentimento de abandono. Nós, que vivemos no interior de Portugal, parecemos esquecidos", desabafa.

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A casa de Alynne fica em frente à rodoviária e ao Parque do Avião, totalmente devastado. "O teto da rodoviária em frente à minha casa saiu inteiro. Na hora dos ventos, nós ouvíamos as pancadas de ferro sendo lançadas contra as paredes das nossas casas. Ver isso acontecer tão perto de nós é algo difícil de descrever. É terror puro", afirma.

Para a imigrante, não houve aviso com tempo suficiente sobre o perigo da tempestade. "Um acontecimento dessa proporção deveria ter sido avisado com antecedência. Vemos o exemplo nos Estados Unidos, em que, algumas vezes, as pessoas são alertadas com 24 horas de antecedência. Eu recebi a mensagem da Defesa Civil já no final da tarde", explica.

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Além de lidar com a devastação, outra preocupação da brasileira foi tentar contato com os familiares no Brasil. "Ficamos praticamente um dia inteiro sem qualquer tipo de sinal, sem internet, sem rede móvel, sem energia, e sem possibilidade de fazer chamadas. Somente cerca de 24 horas depois consegui enviar uma mensagem rápida avisando que estávamos bem", relata.

No entanto, nessas 24 horas, os familiares viam as notícias no Brasil e não conseguiam contato. "Meus pais e minha irmã ficaram muito preocupados, sem saber se eu estava segura, se tínhamos sido afetados ou se algo mais grave tinha acontecido. Eles já tinham enviado várias mensagens", pontua.

De acordo com a brasileira, o problema de comunicação é ainda mais grave para estrangeiros. "Essa dificuldade de comunicação afeta muito, principalmente para nós, imigrantes. Existe uma necessidade constante de falar, de tranquilizar quem ficou no Brasil, de dizer que estamos bem. E, naquele momento, simplesmente não havia como. Tivemos de esperar para conseguir, finalmente, aliviar a angústia dos nossos familiares", lembra.

Vídeos

Há também vários relatos de brasileiros e brasileiras na redes sociais que mostram os estragos:

amanda.lima@dn.pt

O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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