A porta da geladeira da União Europeia para as carnes brasileiras fechou de vez. E, diante de tamanho prejuízo aos produtores brasileiros, a pergunta que deve ser feita é: quem é o responsável pelo veto à carne brasileira? A União Europeia, que avisou que não vai flexibilizar as regras, ou o Brasil, que ignorou os avisos europeus? Nesse toma lá-dá-cá, os dois lados têm suas parcelas de culpa.O Brasil recebeu o anúncio do veto em maio. Gritou contrário à medida. Alegou que foi surpreendido pela decisão, e garantiu que seus produtores mantêm um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o que leva o Brasil a ser o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu. Não convenceu os representantes da União Europeia.Em meio à chegada do acordo com o Mercosul, que mexeu no cerne de questões econômicas que envolvem diretamente os produtores locais, a União Europeia saiu em defesa dos seus produtos, e vetou de vez a entrada dos itens brasileiros de origem animal. A alegação, tão amplamente já falada, é de que o Brasil não cumpre as normas sanitárias europeias, sobretudo as ligadas ao uso de antimicrobianos na criação animal. Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas.Agora, vejam como é a questão. Esses microbianos usados pelos produtores brasileiros são, em parte, oriundos exatamente da Europa, a mesma Europa que não quer que seus cidadãos consumam produtos com esses compostos. Então, é assim: a Europa vende os produtos que são a base dos microbianos usados no Brasil, mas não quer que sua população consuma os produtos que estão sob o impacto desta cadeia de medicamentos. Curioso, não?Pois bem. O lado mais fraco da corda, neste caso, é o do produtor brasileiro. E ainda que a importação de produtos de origem animal para a Europa não seja o principal mercado do setor, são estimadas perdas de mais de 2 bilhões de dólares ao ano aos produtores brasileiros. A Europa já afirmou que não vai flexibilizar as medidas o que leva os produtores brasileiros a, na prática, estimar que sejam necessários, no mínimo, de dois a três anos para que o ciclo de produção da pecuária bovina brasileira consiga se adaptar às novas regras exigidas pela União Europeia.Ou seja, ao que tudo indica, teremos pelo mínimo dois anos sem carnes brasileiras na mesa do europeu. Também ficam de fora mel, ovos, frangos. O Brasil, que já está em meio ao caos do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, também precisa, agora, correr contra o tempo para recuperar a imagem de seus produtos na mesa dos europeus. .O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Governo atribui ao setor privado parte da responsabilidade por veto da UE à carne brasileira.Empresários admitem risco do Brasil deixar de exportar carne para a UE