Texto: Higor Cerqueira*O ano de 2025 ficará registrado na história recente de Portugal como um período de intensa reflexão sobre imigração, integração e futuro. Foi um ano exigente, marcado por incertezas, debates acesos e propostas legislativas que mobilizaram a sociedade civil, os decisores políticos e, em especial, as comunidades imigrantes. Ainda assim, no meio de um cenário desafiante, um pilar manteve-se firme, estável e agregador: a educação.Para milhares de imigrantes que vivem, estudam e trabalham em Portugal, 2025 foi um ano de resiliência. As discussões em torno de alterações à Lei de Estrangeiros, bem como o posterior chumbo de medidas de caráter mais restritivo, geraram apreensão legítima. Houve dias de ansiedade, de desinformação e de receio quanto ao futuro. No entanto, mesmo nos momentos mais delicados, a educação permaneceu protegida, acessível e fora do alcance de medidas que poderiam comprometer projetos de vida.Este dado não é menor. Num contexto europeu em que políticas migratórias e acesso a direitos básicos têm sido alvo de sucessivas revisões, Portugal reafirmou, na prática, a centralidade da educação como instrumento de integração, qualificação e coesão social. O ensino superior, a formação profissional, os cursos de línguas e os programas de capacitação continuaram a funcionar como portas abertas para quem escolheu o país como destino.Ao longo de 2025, assistiu-se a uma procura contínua por universidades, politécnicos e centros de formação. Jovens e adultos, vindos de diferentes geografias, mantiveram o investimento nos estudos como estratégia de estabilidade e progressão, independentemente do ruído político. Isso revela maturidade institucional e uma visão de longo prazo por parte do Estado português, que compreende que a educação não é um custo, mas um ativo estratégico.Importa sublinhar que o setor educativo não foi afetado pelas medidas propostas pelo Governo ao longo do ano. As vias legais de acesso à educação mantiveram-se intactas, assim como os mecanismos de regularização associados à formação acadêmica e profissional. Este posicionamento trouxe segurança jurídica e previsibilidade, dois fatores essenciais para quem decide mudar de país.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Mais do que nunca, 2025 demonstrou que a educação é um espaço de consenso. É nela que se encontram respostas concretas para os desafios da integração, do mercado de trabalho e do crescimento econômico sustentável. Ao apostar na qualificação, Portugal reforça a sua capacidade de atrair talento, estimular inovação e promover uma sociedade mais equilibrada.Para os imigrantes, a mensagem foi clara: apesar das dificuldades, estudar continua um caminho sólido. Para o país, ficou evidente que proteger a educação é proteger o futuro. Num ano de provações, foi este setor que ofereceu estabilidade, horizonte e esperança.Mais do que nunca, 2025 demonstrou que a educação é um espaço de consenso. É nela que se encontram respostas concretas para os desafios da integração, do mercado de trabalho e do crescimento econômico sustentável. Ao apostar na qualificação, Portugal reforça a sua capacidade de atrair talento, estimular inovação e promover uma sociedade mais equilibrada. Iniciativas como o Prêmio Estrela do Atlântico surgem, neste contexto, como um importante instrumento de reconhecimento público, ao dar ainda mais visibilidade a imigrantes que se destacaram positivamente em diferentes áreas, incluindo a educação, valorizando percursos de mérito, contributo e integração efetiva no país. Se 2025 foi um ano de resistência, foi também o ano em que Portugal reafirmou, com atos e não apenas discursos, que a educação permanece como um valor inegociável.*Higor Cerqueira é empreendedor na área da educação e fundador do Prepara Portugal, iniciativa dedicada à integração de imigrantes por meio da formação e qualificação profissional..O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.