Mulheres, as menos influenciáveis em seus votos

Recentemente o Datafolha, um dos maiores institutos de pesquisas do Brasil, consultou os brasileiros sobre o nível de influência que pessoas próximas ou atores externos possuem o voto dos eleitores. O resultado foi direito: as mulheres, de forma geral, declaram aceitar menos esse tipo de influência do que os homens.
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A proximidade das eleições no Brasil traz à tona uma entre a série de perguntas que sempre tomam a mesa de reuniões: em quem votar quando chegar a hora de estar ali, só você e a urna, frente a frente. Ainda que o voto seja secreto, falar sobre ele é praticamente inevitável, ainda mais em um país com polarização política extrema, como é o caso do Brasil. Mas, e as mulheres, onde ficam neste cenário?

Como jornalista, escritora e pesquisadora, transito nos dois extremos: o da direita e o da esquerda. Melhor colocando, o do Lulismo e o do Bolsonarismo. E, claro, não há dia em que eu não receba uma avalanche de argumentos que tentam me convencer para quem eu deva deixar meu voto na urna. Saio sempre pela tangente, com uma resposta padrão: ainda não decidi.

O fato é que, assim como a maioria das mulheres brasileiras, meu voto integra o grupo dos menos aptos a sofrer influências. Ele cabe apenas a mim. Nas pesquisas de intenção de votos que encharcam os nossos finais de semana com a proximidade eleitoral, sou do tipo das não influenciáveis. Deixe-me explicar.

Recentemente o Datafolha, um dos maiores institutos de pesquisas do Brasil, consultou os brasileiros sobre o nível de influência que pessoas próximas ou atores externos possuem o voto dos eleitores. O resultado foi direito: as mulheres, de forma geral, declaram aceitar menos esse tipo de influência do que os homens.

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Isso explica muito dessa paixão descabida que a massa masculina acumula por seus ídolos políticos, que alimenta por vezes uma machosfera misógina e preconceituosa pelo simples fato de serem homens. Segundo o Datafolha, o índice de influência do voto, entre os homens, chega a 40%, enquanto entre as mulheres fica em 31%. Estamos isentas de influências? Não. Mas pensamos melhor na hora de votar? Sim.

E no que as mulheres pensam? Nas políticas de educação para os filhos, nas políticas de combate às diferentes formas de violência, no respeito como eleitoras e cidadãs que merecemos desde a hora de sair de casa até o retorno em segurança. A mulher pensa em tudo, não apenas na paixão política, propriamente dita.

Votar em mulher tem sido algo que escuto muito. Que mulher precisa votar em mulher. Agora, precisa mesmo? Assim como há mulheres com ótimas propostas que são construídas pensando no bem-estar do coletivo feminino, há aquelas que pensam mais no fortalecimento da estrutura misógina do que nos avanços gerais que as mulheres precisam ainda conquistar. E não são poucos os exemplos.

O que quero dizer é que o fato de ser mulher não transforma uma mulher, necessariamente, em uma mulher política preocupada com as melhorias para as mulheres. Política é um nicho de atuação. Política é feita por agentes públicos, e, como agentes públicos, eles precisam incorporar personagens para falar com seus públicos. É assim desde a Grécia Antiga. Cabe apenas a cada um de nós definir qual agente público representa melhor as políticas que queremos ver representadas. Com respeito, ainda que com influências.

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Levantem-se, mulheres! A urna te espera!
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Brasília, substantivo masculino
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