Dez mandamentos para a nova era do Mercosul

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Deu certo! A União Europeia vai avançar. O acordo com o Mercosul entrou em vigor. Depois de mais de vinte anos de negociações, o tratado ganha impulso num momento em que a Europa procura novos parceiros comerciais e maior estabilidade nas cadeias de abastecimento. Para muitos, trata-se de um tema distante, diplomático. Para o comércio de Brasil e Portugal, é tudo menos isso é o advento de uma miríade de possibilidades que vale a pena elencar.

Primeiro: tarifas mais baixas. Muitos produtos europeus enfrentavam impostos elevados ao entrar no Brasil, Argentina, Uruguai ou Paraguai. Com o acordo, grande parte dessas tarifas desaparece ou diminui de forma significativa. Isso torna os produtos portugueses mais competitivos.

Segundo: menos burocracia nas fronteiras. O acordo prevê simplificação aduaneira. Menos papelada, menos atrasos, mais previsibilidade no transporte. Para quem exporta, tempo é dinheiro.

Terceiro: acesso ampliado ao mercado agroalimentar. Vinhos, azeites, conservas, queijos e produtos gourmet portugueses ganham condições melhores para competir num mercado de mais de 260 milhões de pessoas.

Quarto: mais oportunidades para serviços. Portugal exporta engenharia, arquitetura, tecnologia, consultoria. Com regras mais claras, as empresas portuguesas podem atuar com maior segurança jurídica.

Quinto: participação em compras públicas. Empresas portuguesas passam a ter melhores condições para disputar contratos públicos no Mercosul, algo que antes era extremamente difícil.

Sexto: proteção da marca e da propriedade intelectual. Produtos com identidade própria — como vinhos e denominações de origem — ficam mais protegidos.

Sétimo: cadeias de produção integradas. Fica mais viável produzir parte em Portugal e parte no Brasil, por exemplo, e ainda assim beneficiar das vantagens tarifárias.

Oitavo: atração de investimento brasileiro para Portugal. Empresas brasileiras podem usar Portugal como porta de entrada para o mercado europeu, reforçando o papel do país como plataforma atlântica.

Nono: mais estabilidade regulatória. Exportar deixa de ser uma aposta incerta e passa a ter regras mais previsíveis.

Décimo: escala estratégica. O acordo coloca o empresário português dentro de um espaço económico que liga dois grandes blocos. Isso significa maior mercado potencial, maior capacidade de crescimento e mais espaço para inovação.

Mercosul UE não  é apenas comércio. É posicionamento. A França resiste porque teme perder. A Alemanha apoia porque quer vender mais. E Portugal?

Portugal tem uma vantagem que poucos têm: língua, relação histórica e conhecimento profundo do Brasil. Se os empresários portugueses agirem com rapidez e visão estratégica, o país pode transformar-se numa verdadeira plataforma atlântica de negócios.

A oportunidade está aberta. O que fará cada empresa com ela é que vai definir o próximo capítulo.

O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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