Representantes de câmaras de comércio portuguesas no Brasil identificam a energia, infraestruturas e turismo como oportunidades para ampliar os negócios portugueses após as eleições presidenciais de domingo, num mercado onde a presença empresarial já é diversificada.“Portugal parte com vantagens relevantes — língua, relações históricas, conhecimento mútuo e uma rede de Câmaras em todo o Brasil —, mas precisa transformar essas vantagens em negócios concretos”, disse à Lusa Carlos Alberto Lopes, presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil.Para os próximos anos, prevê o “maior potencial em energia e transição energética, infraestrutura e saneamento, logística, tecnologia e inteligência artificial, saúde e agroindústria”.“O Acordo União Europeia–Mercosul pode ampliar ainda mais essas oportunidades”, acrescentou, referindo-se ao acordo que entrou em vigor em maio e que permite gradualmente eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros).“É nesse ponto que a Federação e as Câmaras podem ter um papel decisivo como plataformas de oportunidades, parcerias e internacionalização empresarial”, afirmou Carlos Alberto Lopes.No Espírito Santo, o presidente da Câmara Portuguesa de Negócios, Alvimar Pinto, destacou a presença portuguesa no setor energético, através da EDP e da FOTUS, empresa de soluções fotovoltaicas “demonstrando que o capital português atua na vanguarda da matriz limpa”.Alvimar Pinto apontou também oportunidades associadas à expansão portuária e aos investimentos petrolíferos no Espírito Santo, nomeadamente para “fornecedores lusos especializados em suprimento industrial e engenharia 'offshore'”.No turismo, que descreveu como um “canal prioritário de expansão”, o responsável adiantou que a Câmara prepara iniciativas com a Secretaria de Turismo estadual, a formalizar no início de 2027, para aumentar as viagens de negócios e de lazer.Já no Pará, o presidente da Câmara de Comércio Portuguesa, Reginaldo Ferreira, identificou oportunidades na transformação do couro bovino e do cacau.“'Joint ventures' são bem-vindas e os empresários portugueses nos parecem parceiros ideais, por enormes motivos”, afirmou.Na carne bovina, o responsável defendeu a superação das dificuldades de acesso ao mercado europeu para aproveitar o acordo Mercosul–União Europeia, destacando também o potencial do turismo no estado.Na sua opinião, as oportunidades poderão aumentar se forem superados os obstáculos logísticos e ambientais, vendo “no caminho de solução com um novo Governo com maior vocação capitalista”.No sul, em Santa Catarina, o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal, Jatyr Ranzolin, identificou a construção civil e os serviços como os principais setores de presença empresarial portuguesa. “O mercado de tecnologia tem recebido bastante interesse, mas desde que seja a partir de Portugal”, acrescentou.."No Brasil não se conhece o Portugal moderno que temos hoje", diz cônsul de Portugal no Rio.CIP vê no acordo com o Mercosul vantagens para Portugal, sobretudo pelo mercado brasileiro