Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.Foto: Gerardo Santos

ApexBrasil está “muito preocupada” com veto europeu a produtos de origem animal brasileiros

Ainda assim, o presidente da ApexBrasil disse esperar que as autoridades sanitárias brasileiras e europeias cheguem rapidamente a um entendimento que permita evitar a aplicação das restrições.
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O presidente da ApexBrasil disse estar “muito preocupado” com a entrada em vigor, em 03 de setembro, das restrições da União Europeia a vários produtos de origem animal e alertou que caso se confirme será “muito mau” para as empresas brasileiras.

“Nós estamos muito preocupados, sim. As empresas brasileiras estão preocupadas”, afirmou Laudemir Müller, em entrevista à Lusa, destacando que a medida poderá atingir um conjunto alargado de produtos de origem animal.

À margem de um evento pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), para reforçar o debate sobre as oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia (UE), Müller questionou a abrangência da medida europeia, que poderá afetar produtos com caraterísticas e sistemas de produção muito diferentes, dando como exemplo o mel produzido na Amazónia e a carne bovina.

“Se uma medida dessas pega, todos os produtos de origem animal, veja a diferença que tem entre um mel orgânico aqui da Amazónia e, sei lá, uma produção de carne bovina. Ou seja, é um pouco difícil de entender”, afirmou.

“Não estamos a falar de um produto que tem um contaminante, um produto que não está enquadrado, nada disso. Nós estamos a falar quase que de uma burocracia, de uma forma de gerir aqui e uma forma de gerir diferente lá”, insistiu o responsável brasileiro.

Ainda assim, o presidente da ApexBrasil disse esperar que as autoridades sanitárias brasileiras e europeias cheguem rapidamente a um entendimento que permita evitar a aplicação das restrições.

“A minha expetativa, como presidente da Apex, que promove os produtos brasileiros no exterior, no caso, na Europa, é que esse entendimento aconteça logo e que essa medida seja desnecessária”, frisou, reconhecendo que o cenário será negativo para as empresas brasileiras caso não haja um entendimento entre as partes.

“Se não houver acordo isso vai ser muito ruim”, afirmou, acrescentando que a medida afeta pequenos, médios e grandes produtores e poderá atingir “todo o sistema”.

Apesar das preocupações com o mercado europeu, o presidente da ApexBrasil destacou que o Brasil está a acelerar a diversificação dos destinos das suas exportações, procurando reduzir a dependência de mercados específicos num contexto internacional de maior fragmentação comercial.

“O Brasil está fazendo isso, e nós estamos crescendo, a exportação brasileira bateu o recorde este ano. O Brasil deve se tornar um dos grandes exportadores de alimentos, é uma grande contribuição na segurança alimentar e nós estamos trabalhando muita diversificação”, destacou, admitindo, contudo, que “com a Europa é diferente”.

“Com a Europa a gente compartilha história, a gente compartilha valores”, para além do acordo, já em vigor desde maio, entre o bloco europeu e o Mercosul, sublinhou.

Pouco mais de uma semana depois da entrada em vigor de forma provisória do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais destinados à alimentação humana e produtos de origem animal, por incumprimento das regras no uso de antimicrobianos.

"A Comissão confirma que o Brasil não está incluído na lista, o que significa que deixará de poder exportar para a UE mercadorias (tanto animais vivos destinados à produção de alimentos como produtos derivados), tais como bovinos, equinos, aves de capoeira, ovos, aquicultura, mel e invólucros, com efeitos a partir de 03 de setembro", disse à Lusa a porta-voz da Comissão Europeia com a pasta da Saúde, Eva Hrncirova.

Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a UE, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados", referiu a porta-voz.

As regras da UE integram a agenda "Uma Só Saúde" ('One Health') da UE para combater a resistência antimicrobiana e aplicam-se aos produtores da UE desde 2022.

*** A Lusa viajou para Manaus a convite da ApexBrasil ***

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