Apresentação será na terça-feira, no Cais do Sodré, a partir das 16h
Apresentação será na terça-feira, no Cais do Sodré, a partir das 16hLeonardo Pinheiro

Lisbloco volta à rua em forma de protesto na terça-feira de Carnaval

Diante da falta de certezas, bloco havia desistido de sair na rua, mas decidiu realizar um ato para marcar a resistência da festa. Para 2026, prometem um desfile completo.
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O Lisbloco, que acaba que comemorar cinco anos de existência em Lisboa, decidiu que sairá na rua neste Carnaval, como forma de protesto. Em nota enviada ao DN Brasil, o bloco confirma que estará no Cais do Sodré na terça-feira (04), a partir das 16h, mas sem o tradicional cortejo.

"Assim como em 2024, não realizaremos o cortejo tradicional, pois, mesmo com o recente reconhecimento do Carnaval, ainda corremos o risco de multas e repressão policial – como já ocorreu no nosso ensaio do último domingo e no Carnaval passado", explica. Mesmo sem uma ampla festa na rua, "o batuque resiste", garantem.

O Lisbloco celebra que o acordo com a Câmara Municipal de Lisboa tenha sido fechado pela Embaixada do Brasil, mas, como foi "em cima da hora", não houve tempo para planejar o cortejo. Ainda sim, pontua que o acordo foi "histórico" e, coincidentemente, fechado no dia do aniversário de cinco anos da entidade. No entanto, para 2026, prometem uma festa nos moldes de 2020.

Confira a nota completa do Lisbloco:

"Os últimos anos têm sido marcados por desafios e resistência para os blocos de Carnaval de Lisboa, e o Lisbloco não é exceção. Desde 2022, temos enfrentado obstáculos impostos pelas autoridades para a realização do nosso Carnaval, com licenças sistematicamente negadas para ocupar o local que identificamos como nosso território e espaço de pertencimento.

Nos últimos três anos, promovemos semanalmente a cultura do Carnaval no Jardim Roque Gameiro, mas esse trabalho segue sem reconhecimento oficial. Em vez disso, continuamos a ser intimidados pela polícia, que exige um licenciamento que a própria Junta de Freguesia da Misericórdia tem se recusado a conceder, mesmo quando cumprimos todas as exigências burocráticas.

Diante dessas dificuldades, já havíamos decidido não sair neste Carnaval. As inúmeras coimas recebidas nos anos anteriores e a incerteza constante tornaram inviável a organização do bloco. No entanto, em janeiro, decidimos retomar as oficinas e reunir um grupo de foliões para reerguer o bloco que se desfez após a interrupção das nossas atividades em 2024.

No último dia 25 de fevereiro, completamos cinco anos do nosso primeiro desfile de Carnaval – uma grande celebração que, na época, contou com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia da Misericórdia, músicos e produtores culturais da cidade. Infelizmente, nunca mais conseguimos realizar nosso Carnaval com as mesmas condições, nem mesmo após a pandemia, quando já havia possibilidades sanitárias para isso.

Nos últimos anos, as entidades que promovem o Carnaval em Lisboa têm resistido bravamente, incentivando o surgimento de novos blocos. A criação da União dos Blocos de Lisboa tem sido essencial nessa luta, negociando diretamente com a Câmara e a polícia. Com o apoio da Embaixada do Brasil e do Ministério da Cultura do Brasil, essa articulação resultou no reconhecimento oficial do Carnaval de Rua de Lisboa por parte da Câmara, além do compromisso de apoio à organização do evento. Esse avanço histórico foi anunciado no mesmo 25 de fevereiro, data em que celebramos os cinco anos da nossa estreia no Carnaval.

Essa conquista representa um sonho pelo qual lutamos desde 2020. No entanto, mais uma vez, chegou tarde demais. Assim como nos anos anteriores, a falta de garantias antecipadas inviabilizou a estruturação do evento da maneira que a cidade merece.

Por isso, o Lisbloco volta às ruas neste Carnaval em forma de protesto. Assim como em 2024, não realizaremos o cortejo tradicional, pois, mesmo com o recente reconhecimento do Carnaval, ainda corremos o risco de multas e repressão policial – como já ocorreu no nosso ensaio do último domingo e no Carnaval passado.

Seguimos na luta para que o Carnaval de Lisboa seja um espaço verdadeiramente livre, acessível e reconhecido, onde a cultura popular possa existir sem repressão. O batuque resiste".

nuno.tibirica@dn.pt

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