Texto: Amanda Lima.Unir música, blocos de carnaval, artistas variados, debater sobre a história da festividade, participar de workshops e provar a gastronomia brasileira é o que o público terá durante cinco domingos na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa. A Feira Cultural Brasileira começa no dia 18 de agosto e será realizada sempre no terceiro domingo de cada mês até dezembro. .Além de promover a arte e cultura, há um objetivo maior: garantir que os blocos de Carnaval possam realizar a festa na rua em 2025. Sem cobrança de ingresso na entrada, a feira pretende arrecadar recursos de forma voluntária e através da venda de bebidas como capirinha..Na estreia da feira, já está confirmada a participação do bloco Oxalá, da banda Oxalá e do bloco Cuiqueiro, que prometem uma tarde animada. Segundo Luha Vieira, coordenadora de eventos da Fábrica Braço de Prata, a cada domingo alguns dos 11 blocos será destaque na programação. Outras atrações musicais vão fazer parte da programação, como baile de forró e baile de funk, com detalhes a ser divulgados nos próximos dias..Como é tradicional nas feiras da fábrica, haverá a participação de empreendedores do setor gastronômico que vão vender os mais diversos produtos, com destaque para a culinária brasileira. Está confirmado que os participantes vão saborear pastel, coxinha, bolos, milho, pamonha, feijoada e cachaça de jambu. Todos os interessados em participar como expositor podem entrar em contato com o local para obter mais informações..O espaço ainda estará aberto para exposição de artistas de todas as áreas. Uma marca dos eventos na Fábrica, a programação também terá uma vertente pedagógica, com conversas e palestras relacionadas com o Carnaval..A iniciativa da Feira Cultural Brasileira surgiu da Fábrica Braço de Prata, que já é o local de ensaio de vários blocos. A direção resolveu realizar os eventos para ajudar os carnvalescos a terem recursos financeiros para a próxima festa. Neste ano, conforme o Diário de Notícias noticiou, pelo menos sete blocos não saíram para a rua. Além da falta de recursos, na ordem dos 20 mil euros para alguns grupos, houve a incerteza diante da falta de respostas das autoridades municipais, que informaram apenas de última hora as exigências para os cortejos. .A postura prejudicou principalmente os blocos menores, que não conseguiram festejar nas ruas, mesmo que tenham feito contato com bastante antecedência para pedir as licenças necessárias. Foi solicitado até mesmo o apoio do Governo brasileiro, quando a ministra da Cultura, Margareth Menezes, visitou Lisboa. No entanto, mesmo com apoios institucionais e tentativa de diálogo não foi possível facilitar a realização dos cortejos nem diminuir a incerteza colocada em cima da festa..“A ideia da feira aqui na Fábrica é ótima, precisamos nos unir e convergir as lutas”, analisa Cauê Matias, vice-presidente da União dos Blocos do Carnaval de Lisboa. O brasileiro garante que todos os blocos estão empenhados na realização da festa. O modelo da feira seguirá o mesmo da Feira Cultural Latino-Americana, que ocorre sempre no primeiro domingo de cada mês na Fábrica Braço de Prata. .A média de público em cada edição é de 1,5 mil pessoas, atraídas pela variada programação cultural e familiar, com diversas atividades para as crianças. No evento brasileiro, haverá contação de histórias e músicas para os pequenos e aula de tambores..O calor do mês de agosto será afastado com bebidas geladas, banho de mangueira e banho de espuma. As atividades vão ocorrer tanto no espaço externo quanto em cinco salas internas do prédio. Mais informações sobre a Feira Cultural Brasileira será divulgada nos próximos dias pelo DN Brasil, parceiro do evento, e pela Fábrica Braço de Prata. .amanda.lima@dn.pt