João Marques da Cruz acaba de assumir um novo cargo no Brasi.
João Marques da Cruz acaba de assumir um novo cargo no Brasi.Foto: DR

Ex-CEO da EDP na América do Sul diz que é um "erro" não facilitar imigração de cidadãos da CPLP

O DN Brasil conversou com João Marques da Cruz em um evento promovido pela Câmara do Comércio e Indústria Luso-Brasileira.
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O português João Marques da Cruz conhece bem a realidade dos mercados de trabalho em Portugal e no Brasil. Entre 2021 e 2025, foi CEO da EDP na América do Sul e tem largos anos de experiência como executivo. Em entrevista ao DN Brasil, avalia que foi um “erro” acabar com a facilidade de obtenção do título de residência em Portugal para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

É um erro e espero que haja capacidade na sociedade portuguesa de distinguir duas coisas. Ninguém quer imigração descontrolada, mas são essenciais os fluxos de imigração, especialmente de países que têm uma relação cultural e linguística, como é o caso do Brasil e de Portugal”, afirma ao jornal. A referência é ao fim da possibilidade, prevista na lei até outubro, de entrar em Portugal e solicitar um título de residência exclusivamente para cidadãos da CPLP. A concretização desta medida chegou a ser anunciada pelo Governo, mas voltou atrás e retirou totalmente da lei essa possibilidade.

João Marques da Cruz acredita que o mercado de trabalho poderá sofrer com essas restrições, sendo necessário, em sua visão, facilitar a imigração para algumas nações. “Espero que se entenda em Portugal que é preciso um novo movimento, não digo um novo retornado, mas que haja regras com discriminação positiva, que facilitem a imigração do Brasil para Portugal”, defende.

A entrevista ao DN Brasil ocorreu durante um almoço promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira. A imigração foi um dos temas abordados, além das possibilidades de investimento no Brasil. O executivo citou um estudo que revela o impacto das restrições migratórias sobre a população portuguesa, que pode diminuir para sete milhões de pessoas. Atualmente, são pouco mais de dez milhões.

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Em comparação com a Espanha, João Marques da Cruz avalia que o país vizinho está mais avançado na relação com a imigração oriunda de ex-colônias. “Portugal tem de olhar para o que a Espanha está a fazer e ter uma política, porque a Espanha está mais avançada do que Portugal, trazendo pessoas daquilo que eles chamam de hispanidade”, explica.

A vizinha Espanha, ao contrário de Portugal, está facilitando a entrada de imigrantes. Inclusive, muitos imigrantes brasileiros já trocaram ou pretendem trocar Portugal pelo país ao lado, como o DN Brasil mostrou em reportagem recente.

João Marques da Cruz, por já ter morado no Brasil, sabe o que é ser imigrante. Inclusive, acaba de assumir um novo cargo no país: o de administrador não executivo de uma empresa chinesa na América Latina e agora está em São Paulo. “Sinto-me muito feliz. Gosto de viver no Brasil, sou bem acolhido. Diria que, em regra, o Brasil recebe muito bem as pessoas; isso faz parte das características do povo brasileiro”, ressalta.

Ele, no entanto, não deixa de criticar a burocracia que já enfrentou como imigrante. “É muita burocracia para obter um RNM (Registro Nacional Migratório). Perdi a conta de quantas vezes fui à Polícia Federal, na Lapa; sempre faltava alguma coisa. Mas sempre com grande simpatia.

amanda.lima@dn.pt

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