Cor utilizada costuma indicar o voto.
Cor utilizada costuma indicar o voto.Foto: Leonardo Negrão

Verde e amarelo contra vermelho: brasileiros levam polarização às urnas em Lisboa

Apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro usam cores, camisetas e símbolos para demonstrar suas preferências durante a votação do primeiro turno das eleições brasileiras em Portugal.
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Milhares de brasileiros enchem os principais acessos à Universidade de Lisboa para votar na primeira volta das presidenciais brasileiras, uma guerra que também é de cores, quase como claques de Lula ou Flávio Bolsonaro.

Os apoiantes de Bolsonaro utilizam símbolos como a t-shirt da seleção brasileira ou a bandeira enquanto os apoiantes do atual Presidente preferem o vermelho, a cor do Partido dos Trabalhadores que apoia Lula da Silva.

“Mas a cor do Brasil nunca será vermelho de sangue, te juro”, avisa Eliete Silva, do Maranhão a viver na Amadora, onde já tem uma filha nascida em Portugal, mas embrulhada na bandeira brasileira e que fala com sotaque brasileiro com a mãe e português com os jornalistas. Vestida com as cores da seleção, Eliete segura a filha com uma mão e com a outra um cartaz com a imagem de Lula preso.

À sua passagem, outros gritam “13” [os dígitos da candidatura de Lula] ou “quem está preso é o pai”, numa referência a Jair Bolsonaro, pai de Flávio. A poucos metros, Mark Martins e Simone Sousa vêm vestidos de vermelho com símbolos comunistas desde Leiria, tal como o filho de um ano, ainda no carrinho.

“O vermelho é a cor do partido dos trabalhadores, mas também representa a esquerda. A ideologia que tanto eu como ela seguimos para a nossa vida”, disse Mark Martins, referindo-se à mulher. “O outro lado meio que abraçou a bandeira brasileira, como se fosse só deles” e “vimos de vermelho para demonstrar apoio ao Presidente Lula”, acrescentou.

Sobre o resultado das eleições, Simone acredita que “vai ter segundo turno. No final ganha Lula. Né, filho?”, abraçando o filho e murmurando: “Oremos”. Mas se muitos brasileiros usam a cor da seleção ou de clubes locais, Junior optou por trazer a cor do país onde vive há 21 anos: a seleção portuguesa, com o sete de Cristiano Ronaldo. “Estou com um pouco de receio do resultado, mas confiante que o melhor vai vir”, disse, justificando a opção pela t-shirt portuguesa: “Porque é vermelha e também porque moro aqui e junto o útil ao agradável”.

“O outro símbolo roubou a nossa camisola da seleção nacional. E hoje em dia tenho vergonha em usar a camisola da seleção porque foi politizada”, explicou Junior, natural de Fortaleza, que compara o uso dos símbolos nacionais nos dois países. “Acho pouco provável porque a mentalidade dos portugueses é um bocado diferente dos brasileiros e é pouco provável pegar num símbolo nacional e politizar deste modo”, disse.

Cores

Mas a disputa das cores não necessita de símbolos partidários para se fazer sentir. Vanusia e Leandro traziam camisolas vermelhas de marca - Guess e Timberland – que poderiam usar noutro dia qualquer. Mas “hoje é um dia diferente e é para caracterizar que estamos do lado do Lula”, disse Vanusia. “É para mostrar mesmo”, acrescenta o marido.

Mas Eliete Silva tem uma visão diferente. “Qual é a cor mais bonita, mesmo? A do Brasil, verde e amarela, ou esse vermelho de sangue?” Quanto às eleições, a imigrante em Portugal tem receio. “Dessa vez vamos ver se o sistema não toma as eleições, né? Porque a gente tem de tirar o PT do Governo, só não vê quem é burro”.

Por isso, “espero que o Flávio ganhe no primeiro turno”, disse, considerando que a “pessoa da direita é uma pessoa estudada, porque só quem não sabe é que continua a votar naquele ladrão que é o Lula”. E a fidelidade de Eliete vai ainda mais longe. "Eu sou ‘bozo’ mesmo. Votei no pai e agora voto no filho. Voto neles pelo menos até o Nikolas [Ferreira, um influencer de direita muito conhecido no Brasil] se conseguir candidatar".

O Brasil é um país continente em que as fidelidades se misturam. Natural do Maranhão, Eliete usava uma camisola do clube de futebol paulista Corinthians com a imagem de Sócrates, o herói da ‘Democracia Corinthiana’ que lutou contra a ditadura e foi um conhecido líder da esquerda brasileira.

Cor utilizada costuma indicar o voto.
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