Principais candidatos que disputam a presidência.
Principais candidatos que disputam a presidência.Fotos: António Lacerda / EPA e Sebastião Moreira/ EPA

Lula e Flavio vão disputar a presidência na segunda volta

Datafolha projeta nova eleição dia 25. Senador, do PL, e vantagem sobre presidente do PT.
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Flávio Bolsonaro do Partido Liberal (PL), e Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), vão disputar o segundo turno das eleições, dia 25, segundo projeção de Datafolha. Na altura em que o instituto de sondagens confirmou esse cenário, às 19h15 (23h15 em Lisboa), quando Flávio somava 49,58% dos votos e Lula, 42,25%, com 64,81% das urnas apuradas.

Nas primeiras duas horas de apuração, Flávio liderou com em torno de 10% de avanço – sempre acima de 50% – mas foi Rafael Fonteles, um governador do Piauí do PT, o primeiro a ser confirmado como eleito pelo instituto Datafolha às 18:29 locais, 22:29 de Lisboa. Instantes depois, Michelle Bolsonaro, do PL, ex-primeira-dama, era eleita para o Senado Federal. Logo a seguir, Tarcísio de Freitas elegia-se oficialmente governador do estado de São Paulo, o mais rico e populoso do Brasil.

Por essa altura, a cada cinco minutos, Lula recuperava cerca de 0,1% do atraso para Flávio, à medida que mais praças do Nordeste, o bastião do presidente, eram apuradas, mas a distância ainda era grande.

O DIA

O domingo de votação teve intensa movimentação política e a novidade da unificação do horário de votação pelo TSE: em todo o território nacional as urnas funcionaram das 8h às 17h pelo horário de Brasília, o que permitiu a divulgação dos dados oficiais de apuração logo em seguida.

Para essa movimentação contribuíram as notícias de suposta interferência dos EUA no sufrágio. O diretor da Polícia Federal chegou a convocar uma coletiva a anunciar a abertura de uma investigação nesse sentido, após o jornal britânico The Guardian ter noticiado repasses do governo de Donald Trump para grupos de oposição, na sequência de uma representação da Advocacia-Geral da União. “Temos uma investigação em curso”, confirmou Andrei Passos Rodrigues, por volta das 16h30, hora de Lisboa.

Uma nota da Confederação Nacional de Bispos do Brasil a pedir a proteção de Nossa Senhora Aparecida também agitou o noticiário, depois da controvérsia sobre a suposta intenção de Flávio, caso eleito, de lhe retirar o estatuto de santa padroeira do Brasil. Uma fake news, como reforçou o candidato

Deram ainda ânimo ao longo dia eleitoral os resultados no estrangeiro que foram sendo conhecidos a conta-gotas ainda antes do fecho das urnas no Brasil, como os do Porto, que deram a vitória a Lula. Flávio, porém, garantiu vantagem numérica expressiva em grandes colégios eleitorais, impulsionado principalmente pelo resultado consolidado no Japão.

Em território brasileiro, entretanto, houve quatro mortes de idosos a lamentar durante a votação: um no sertão de Pernambuco, outro em Manaus, uma eleitora de Campo Grande e mais um do Rio de Janeiro.

De resto, segundo o juiz Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, o dia correu dentro da normalidade: 59 pessoas foram detidas por crimes eleitorais ao longo da votação, número na altura ainda parcial, e 0,2% das urnas eletrónicas registaram problemas e tiveram de ser substituídas mas em nenhum ponto do país foi necessário efetuar votação manual.

Finalmente, muitas filas e atrasos, nalguns casos de enorme duração, por culpa de episódios de mau tempo.

Além do cargo presidencial, o eleitorado definiu os novos governadores dos 26 estados e do Distrito Federal (DF), a renovação de dois terços do Senado Federal (54 das 81 cadeiras) e as composições da Câmara dos Deputados e das Assembleias Estaduais e Distrital do DF.

A HISTÓRIA

A eleição de 2026 é a 10.ª presidencial direta realizada no Brasil desde a redemocratização. A série começou em 1989, quando, depois de quase três décadas sem escolher diretamente o presidente na ditadura militar, os brasileiros elegeram Fernando Collor de Mello, que derrotou Lula no segundo turno.

Cinco anos depois, em 1994, Fernando Henrique Cardoso (FHC) chegou à presidência pelo PSDB, vencendo Lula logo no primeiro turno, impulsionado pelo sucesso do Plano Real. FHC seria reeleito em 1998, também à primeira volta, novamente contra Lula.

Em 2002, Lula conseguiu finalmente chegar ao Palácio do Planalto, derrotando José Serra, sucessor de FHC no segundo turno. Quatro anos depois, foi reeleito, desta vez contra Geraldo Alckmin.

Em 2010, o PT manteve a presidência com Dilma Rousseff, escolhida por Lula para lhe suceder e primeira mulher eleita para o cargo. Dilma seria reeleita em 2014, numa das disputas mais apertadas da história eleitoral brasileira, derrotando Aécio Neves, ainda do PSDB.

A sequência de quatro vitórias do PT e de seis eleições muito disputadas entre o partido de Lula e o PSDB foi interrompida em 2018, quando Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad e chegou à Presidência pelo então PSL.

Quatro anos depois, numa eleição ainda mais equilibrada, Lula derrotou Bolsonaro por uma margem de apenas 1,8 ponto percentual, regressando ao Planalto para um terceiro mandato não consecutivo.

Ao longo das nove eleições anteriores, portanto, o eleitorado brasileiro alternou entre quatro presidentes eleitos: Collor, FHC, Lula e Dilma, até à ruptura representada pela eleição de Bolsonaro em 2018 e ao regresso de Lula em 2022.

No período, Itamar Franco, de 1992 a 1994, e Michel Temer, de 2016 a 2018, governaram sem ser eleitos.

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