O calendário não mente: é dia 30 de outubro e são 18h em Lisboa. O breu da noite, menos de uma semana depois da mudança de hora, já se faz presente no mesmo momento que o ponteiro no mesmo lugar nos habituou a associar ao fim de tarde nos últimos seis meses.Nas ruas, as decorações de Natal começam a tomar conta do cenário, assim como nas lojas e supermercados, repaginados com a temática de fim de ano. Tudo parece certo para a chegada de novembro, já neste domingo (1º), mas algo aparenta estar fora do lugar: afinal, onde está o frio?Para este sábado, estão previstos 27°C de temperatura em Lisboa, enquanto os termômetros podem se aproximar dos 30°C em outras partes do país, especialmente no Sul. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as máximas devem permanecer entre 2°C e 5°C acima da média para esta época do ano, podendo chegar aos 29°C. No Norte e Centro, os valores devem ultrapassar os 20°C em boa parte do território.E não é apenas o calor que chama a atenção. Com céu pouco nublado ou limpo, ausência de chuva e ventos geralmente fracos, o fim de semana promete condições para aproveitar atividades ao ar livre. Na capital e nos arredores, o cenário pode até animar quem ainda não se despediu das praias, embora a água do mar já esteja mais fria do que durante o verão - se bem que, para nós, brasileiros, ela está sempre fria.A título de comparação, no mesmo período do ano passado, Lisboa já convivia com chuvas intensas e temperaturas mais baixas - e, ainda assim, outubro de 2025 foi o segundo mais quente desde 1931. De acordo com o boletim climatológico do IPMA, a temperatura média naquele mês foi de 19°C em Portugal continental, 2,21°C acima do normal.Apesar do calor predominante durante boa parte daquele outubro, a chegada de sucessivas depressões atmosféricas mudou o cenário a partir do dia 23. Nos dias 28 e 29, a região metropolitana de Lisboa registrou precipitação intensa, com acumulados superiores a 60 milímetros em 24 horas em diversas estações meteorológicas. Na Tapada da Ajuda, por exemplo, foram registrados 72,6 milímetros, de acordo com o IPMA. Um cenário bastante diferente do sol previsto para o mesmo período em 2026.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp! O prolongamento das temperaturas elevadas também acontece em meio a alertas sobre os efeitos das mudanças climáticas na Europa. Nesta semana, o comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, advertiu que o continente deve se preparar para um cenário de aquecimento global de 3°C até 2100, com fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos. O responsável defendeu que os países europeus reforcem suas estratégias de adaptação, mesmo que os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa avancem.Embora um episódio isolado de calor não possa ser atribuído diretamente às mudanças climáticas, o aumento das temperaturas médias torna mais prováveis os períodos de calor intenso e fora de época, um dos desafios que a Europa e o restante do mundo deverão enfrentar nas próximas décadas.Frio de verdade, ao que tudo indica, apenas no próximo fim de semana (dias 6 e 7), quando, pelo menos até o momento, o IPMA prevê que Lisboa tenha temperaturas mínimas de 12°C, com predomínio de chuva. Já no Porto, a previsão é de que a mínima chegue aos 9°C na próxima quinta-feira. A ver vamos se as previsões se concretizam..O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..A semana traz chuva, mas temperaturas continuam elevadas. Máximas podem chegar aos 28ºC.Portugal continental registou recorde de nove ondas de calor em 2026