A ativista brasileira Priscila Valadão tem sido uma das vozes a liderar a Acampada Lisboa, movimento que nasceu com os protestos por habitação que tomam conta da capital portuguesa desde o dia 17 de outubro. Nos atos, que têm levado milhares de pessoas a marchar pela cidade e a acampar na praça do Rossio, Priscila ocupa a linha de frente para cobrar do Governo mudanças na política habitacional.Vivendo em Portugal há mais de dez anos, Priscila é conhecida no meio do ativismo social em defesa dos direitos dos imigrantes. A brasileira integra o Movimento Vida Justa, uma plataforma cívica nascida em bairros da periferia de Lisboa, e é frequentemente convidada por veículos de comunicação para analisar questões ligadas à política migratória e ao Brasil.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!A posição de relevo no movimento por moradia digna para todos, que conta com a participação ativa de vários outros brasileiros e cidadãos estrangeiros, tem se traduzido em intimidação. Depois de algumas falas de Priscila, o ministro da Defesa Nacional e líder do CDS-PP, partido de direita que integra o Governo, Nuno Melo, afirmou que a atual crise da habitação está ligada "a um descontrole absoluto dos fluxos migratórios no país nos últimos anos”.Sem citar Priscila diretamente, o ministro declarou que os manifestantes só querem "perturbação da ordem pública" e insinuou que o movimento não representa as necessidades do país, afirmando que “quase todas as vezes” em que ligou a televisão “quem aparecia de porta-voz de movimentos era alguém que não tinha nascido em Portugal, falava com sotaque brasileiro”.Conforme divulga nas suas redes sociais, Priscila tem sido alvo de ofensas e ameaças, de morte e de deportação. "A tua batata está a assar", diz uma das mensagens partilhadas pela brasileira. Pelo menos três petições públicas estão abertas no momento com pedidos para que Priscila seja deportada e perca a nacionalidade portuguesa. Um dos textos cobra a "abertura imediata de processo de averiguação por parte da AIMA e do Ministério Público" sobre as condutas da brasileira.Neste domingo, 1º de novembro, depois de uma madrugada em que a polícia investiu com violência para retirar manifestantes acampados no Rossio, Priscila partilhou com o DN Brasil um vídeo em que agradece pelo apoio recebido. "Eu não vou dar nenhum passo atrás", diz na mensagem. "Não estou fazendo nada errado. A luta é justa, é correta", reforça.Veja o vídeo completo.O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Veja as imagens da violência dos protestos em Lisboa.Da habitação aos salários: novembro será marcado por uma onda de protestos em Portugal