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"São o nosso grande capital": mão de obra estrangeira garante sucesso das empresas de João Amaral
João Amaral e funcionários do restaurante Mamma Donella, em Paço de Arcos, Oeiras. Todos são estrangeiros. Foto: Gerardo Santos / Global Imagens

"São o nosso grande capital": mão de obra estrangeira garante sucesso das empresas de João Amaral

Com uma dezena de empresas de norte a sul de Portugal, empresário afirma que imigrantes representam 80% de todos os seus funcionários e critica "falta de dignidade" que enfrentam no país.

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por DN Brasil

Texto: Caroline Ribeiro

A decoração e o menu do restaurante Mamma Donella, em Paço de Arcos, na região metropolitana de Lisboa, confirmam o que o nome já entrega. Do teto pendem faixas nas cores da bandeira da Itália, nas paredes há inúmeras fotos de astros do cinema do país. Entre os pratos, pizzas, risotos, espaguetes e outras massas. Já o proprietário, João Amaral, é português. E pronto, ficam por aqui as características européias mais presentes no local que, para funcionar, tem um toque multicultural: todos os funcionários são estrangeiros.

Entre os 17 empregados do restaurante, "não há um único português", conta João Amaral ao DN Brasil. Empresário no setor dos restaurantes e da reabilitação urbana, com cerca de uma dezena de empreendimentos de norte a sul do país, o lisboeta diz que "praticamente de uns 12 anos para cá, de fato, a mão de obra estrangeira, principalmente a brasileira, é, no fundo, o nosso grande capital". Há também paquistaneses, nepaleses, angolanos, cabo-verdianos, citando apenas algumas das nacionalidades mais presentes nas empresas de João, que "não têm nem 20%" de funcionários portugueses.

João Amaral valoriza a multiculturalidade de seus empregados. Foto: Gerardo Santos / Global Imagens

Ouve-se sotaques brasileiros com clareza no restaurante Mamma Donella. Seja do garçom carioca que oferece uma "caipirinha sem álcool" à jornalista, que, além de estar em horário de trabalho, está amamentando, ou do gerente, que sai convocando todos os empregados para o clique com o fotógrafo da reportagem.

Lucas Sesso, aliás, comanda dois restaurantes do grupo de João Amaral. Natural de Pompéia, cidade no interior de São Paulo, veio para Portugal em 2005 com o objetivo de investir na carreira de atleta no futsal. "Não deu certo, pronto. Vim sozinho, não tinha dinheiro, não tinha contatos. E, entretanto, fui apresentado ao ramo dos restaurantes", conta ao DN Brasil.

O agora gerente começou na copa. "Passei pela cozinha, pela sala e hoje faço a liderança da equipe. Dou muito valor ao staff por esses pormenores, por eu saber o quanto custa cada posição. Tento, dentro da minha experiência, passar o máximo de condições para eles. Por quê? Porque quem constrói a casa é o staff. Então, sem o staff, eu não sou ninguém. Preciso deles felizes a trabalhar. Acredito que todas as oportunidades que eu tive, eles também têm direito de ter", diz Sesso, que acompanha o dia-a-dia dos funcionários contando com a confiança e incentivo do patrão. "É um rapaz excepcional o Lucas", afirma João Amaral.

O paulista Lucas Sesso é gerente de dois restaurantes do grupo de João Amaral. Foto: Gerardo Santos / Global Imagens.

Melhores condições

Para o empresário, não há volta a dar em Portugal. "Com a escassez de mão de obra portuguesa, a estrangeira foi a que veio compensar as nossas necessidades", afirma.

No entanto, João reconhece que é preciso melhorar o acolhimento de quem vem de fora. "Nós [os portugueses], nos anos 50 e 60, fomos imigrantes na Europa, especialmente na França. Os nossos imigrantes viviam em condições muito complicadas. Em Paris, era nos chamados bidonvilles, coisas atrozes, sem qualquer tipo de dignidade. E parece que não entrou no nosso DNA. Hoje, parece que toda a gente se esqueceu daquilo que o nosso imigrante passou e não dá dignidade a quem vem cá".

Para o empresário, a atual política migratória do país não favorece nem a fixação e retorno dos jovens profissionais portugueses que optam por ir morar fora em busca de melhores condições de trabalho, nem a estabilização de imigrantes com "condições mais dignas", embora exista a necessidade.

"Temos todo o interior, norte e nordeste, que precisa de muita mão de obra e não existe. É uma necessidade para continuidade até das nossas próximas gerações, porque nós, sem continuação de Segurança Social, não temos o seguro da nossa velhice. Neste momento há sinais [do Governo] que vão fazer a mudança, mas tem que ser feita de imediato. Não é continuar a esperar, a criar uma agonia para o imigrante que vem, numa situação de ansiedade, porque as pessoas vêm e, quando chegam cá, vêem que as coisas não são como pensavam".

caroline.ribeiro@dn.pt

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